Economia cai 5,2% no primeiro trimestre

A economia voltou a cair no primeiro trimestre, mas a queda foi inferior ao ‘trambolhão’ provocado pelo primeiro confinamento, no ano passado. É o que esperam os economistas ouvidos pelo Expresso em antecipação à divulgação da primeira estimativa do Instituto Nacional de Estatística (INE) que ocorrerá no final da próxima semana.

A expectativa é que o PIB tenha estado no vermelho durante os primeiros três meses do ano, mas passe para o verde no segundo trimestre, quando os economistas antecipam um crescimento nos dois dígitos. Com maior ou menor grau de pessimismo, todos os economistas ouvidos pelo Expresso apontam para uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiros três meses do ano, tanto em relação aos primeiros três meses de 2020 (variação homóloga) como face ao trimestre anterior (variação em cadeia). Uma evolução onde pesa o recuo do consumo privado.

Na comparação homóloga, as projeções oscilam entre -3% (BPI) e -7% (Católica-Lisbon Forecasting Lab), com o Millennium bcp a apontar para -4,1%, o ISEG para -5,1% e o Santander para -6,6%. A média indica uma contração de 5,2%, quando no segundo trimestre do ano passado atingiu 16,4%. Quanto à comparação em cadeia, as previsões vão de -0,7% (BPI) até -5% (Católica-Lisbon Forecasting Lab), com a média a ficar nos -3,1%. A confirmar-se, interrompe variações positivas no terceiro e quarto trimestres do ano passado.

Ainda assim, mais uma vez, fica longe da queda em cadeia de 14% no segundo trimestre de 2020. Os resultados do Inquérito Rápido e Excecional às Empresas (INE e Banco de Portugal) corroboram. Na primeira quinzena de fevereiro, as empresas respondentes registaram uma redução de 18% no volume de negócios, face à situação sem pandemia, o que corresponde a cerca de metade da variação reportada em abril de 2020. É o resultado de programas de ajuda em pleno funcionamento, da adaptação das empresas e dos trabalhadores, com teletrabalho, comércio online e take-away na restauração, e do enquadramento internacional mais favorável.

Mas, a diferenciação sectorial manteve-se, com os serviços que envolvem contactos pessoais com quedas mais significativas. Economia volta a crescer Vários indicadores já registaram em março variações homólogas positivas, pela primeira vez desde o início da pandemia, beneficiando da conjugação de dois fatores: o desconfinamento em curso e o efeito de base — um ano antes o país entrou em confinamento e a atividade caiu a pique. Entre esses indicadores está o montante de levantamentos nacionais, de pagamentos de serviços e de compras em terminais de pagamento automático na rede Multibanco e as vendas de veículos automóveis. Quanto ao segundo trimestre, e como resultado desses fatores, o número de compras na rede Multibanco aumentou 75,3% em termos homólogos na primeira quinzena de abril.

Além disso, a média móvel semanal do indicador diário de atividade económica, calculado pelo BdP, regista incrementos homólogos da ordem dos 20% até à semana terminada em 11 de abril (última informação disponível). “Se o plano de desconfinamento se mantiver nos traços já anunciados haverá certamente um fortíssimo crescimento homólogo, de dois dígitos quase de certeza”, aponta João Borges de Assunção, professor da Católica-Lisbon. Bruno Fernandes, economista do Santander, fala em “velocidades superiores a 10% a 15%”.

Nota: Pode ler o artigo completo na edição impressa do Jornal Expresso de 23 de abril de 2021.