Duarte Silva: "Liderar na complexidade (ou na corda bamba)"

A primeira verdade que nos incomoda é esta: o que funcionou ontem não garante sucesso hoje. O repertório de estratégias, recursos e certezas que nos permitiram vencer desafios passados perde parte do seu valor quando o sistema muda, porque as pessoas mudam, as redes de interdependência mudam, e as ramificações do problema não são as mesmas. A nossa tendência natural é procurar segurança: decidir rápido, repetir padrões que deram certo, confiar na memória da experiência. Tal reduz a ansiedade momentânea, mas aumenta o risco de erro, porque nos empurra para respostas que podem não encaixar no presente.

A metáfora da corda bamba ajuda a perceber outra dimensão: não existe um destino fixo nem um ponto em que possamos concluir “agora já sei”. Estar na corda não é um estado temporário que se resolve quando adquirimos mais conhecimento. É uma condição permanente que exige equilíbrio contínuo. É preciso, portanto, aprender a sentir conforto nessa posição vulnerável, não como resignação, mas como prática de atenção e abertura.

Artigo completo disponível na Renascença.