Duarte Afonso Silva: "O direito de ainda não saber"
Imaginemos um profissional experiente a quem é pedido que aprenda uma nova forma de trabalhar. Até concorda com a necessidade, frequenta a formação e sai com uma compreensão clara das vantagens da nova perspetiva. Mas, quando chega ao seu dia-a-dia profissional, e precisa de pedir ajuda a um colega mais júnior, hesita. Parece que a dificuldade já não está apenas no que tem de aprender, mas no que receia deixar de ser: a pessoa que sabe, a que resolve, ou aquela a quem os outros habitualmente recorrem.
Este exemplo representa o momento em que o saber se tornou um lugar de reconhecimento. Quando é preciso admitir que ele já não nos chega, essa ação parece beliscar a nossa identidade. Já não perguntamos “como é que se faz?”, mas sim “o que é que acontece ao meu valor enquanto (ainda) não sei fazer?”.
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