Desenhos escondidos em livros e outras espantosas realidades com e sem bolinha
Querem que vos faça um desenho? - pergunta o editor do magazine A Espantosa Realidade das Coisas, na última emissão antes das férias.
Esta emissão começa com uma reportagem de Teresa Dias Mendes na livraria Poesia Incompleta, em Lisboa. A ideia ficou madura em Maio: a ilustradora Bárbara Assis Pacheco foi fazendo desenhos "para maiores de dezoito" (da série "Isolamento Social, Quarentena"). Esses desenhos foram escondidos aleatoriamente em livros de poesia espalhados pela livraria da rua de São Ciro. Os clientes que encontrarem um livro com desenho dentro podem ficar com o desenho desde que comprem um outro livro. Esse outro livro será oferecido à ilustradora. "A coisa", explica Bárbara Assis Pacheco "durará até ao último livro com desenho escondido".
"Os portugueses", explica o livreiro Mário Guerra, ouvido na reportagem, "estão finalmente a perceber o encanto dos desenhos com uma certa badalhoquice". "Nestas épocas", prossegue o anfitrião da iniciativa, "as pessoas precisam de um bocadinho de beleza e saídas da mesmice".
Rita Figueiras, professora de Ciências da Comunicação e Comunicação Política da Universidade Católica Portuguesa, também comentadora residente do magazine A Espantosa Realidade das Coisas, reflecte sobre a importância de um projecto jornalístico alternativo, intitulado "El Salto", criado na órbita do jornal Diagonal. Este projecto espanhol está associado a 60 blogues, uma plataforma de rádio e outra de vídeo. El Salto não tem chefes nem directores, apenas 20 trabalhadores que recebem salário igual. O que trouxe o projecto para discussão foi um artigo sobre a necessidade de "criticar o jornalismo, para salvar os jornalistas".
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