Daniela Silva: "O sequestro da Academia pelos licenciados em sensibilidade"
O que poderemos esperar do futuro quando poucos são os que ousam contrariar a uniformidade científica e o conformismo ideológico no contexto universitário? Reproduzindo algumas das piores tendências que nos chegam do mundo anglo-saxónico, os alunos que ingressam hoje no Ensino Superior revelam animosidade e repulsa alarmantes perante a apresentação de factos científicos e quando confrontados com a diversidade de ideias.
O predomínio desta atitude desadequada para o domínio científico revela-se de várias formas. Em primeiro lugar, numa notória incapacidade de distinguir entre a esfera da condição e interesses pessoais e a esfera da discussão de ideias abstractas, argumentos científicos ou apresentação de factos históricos.
Quando um auditório é ocupado por dezenas ou centenas de alunos que podem a qualquer momento extrair e extrapolar um enunciado dito em aula para afirmar que se sentiram ofendidos ou provocados, a actividade lectiva torna-se penosa ou mesmo impraticável. Isto quando não se declaram ofendidos pela associação do próprio nome dos auditórios ou edifícios das Universidades a figuras ou eventos históricos de relevo por estes ferirem as suas sensibilidades.
Em segundo lugar, na falta de reverência perante hierarquias e na desconsideração pelo rigor metodológico e pelas autoridades científicas. Esta falta de reverência ou, se quisermos, esta presunção face ao conhecimento e face aos outros, não é exclusiva da relação entre alunos e Professores. Os seus primeiros sinais manifestam-se em ambiente familiar, geralmente no seguimento de uma educação excessivamente permissiva, de ausência de responsabilização e de um relacionamento igualitário entre membros da família que muitas vezes favorece a falta de respeito e a indisciplina.
Em terceiro lugar, a animosidade dos alunos acontece quando se aplicam, ao contexto académico, as polarizações que se digladiam na sociedade, com particular força nas redes sociais. A superficialidade de discussões que é estimulada nesses moldes não só contribui para baixar os padrões de exigência do campo da argumentação, como legitima também uma visão maniqueísta da realidade, em que não se concebem posicionamentos intermédios, mas apenas conflito entre o bem e o mal absolutos.
De todas estas formas resulta uma preocupante aversão ao contraditório e ao pluralismo e uma motivação delatória iminente entre os alunos e a comunidade académica em geral.
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