Daniel Lança Perdigão: "Em breve todos saberemos..."

Organizações e hierarquias têm que se preparar para gerir os colaboradores numa base de confiança, de autorresponsabilização e atribuir objetivos SMART em vez de controlar presenças e horários. Calculo que esteja tão curioso como eu em saber o que vai acontecer com as competências digitais que têm sido adquiridas ou desenvolvidas durante a pandemia, assim como com o teletrabalho.

Reflita comigo sobre estes temas. Em relação às competências digitais parece não haver dúvida de que as empresas deverão aproveitar o que os seus colaboradores, parceiros ou clientes, aprenderam neste período de trabalho remoto, pois se os negócios já se faziam a uma velocidade muito maior do que há 20 anos, ou mesmo há 10 anos, o processo agora sofreu um enorme impulso.

Muitos de nós, que passaram por grandes organizações, em diversos setores, deslocávamo-nos com maior ou menor frequência a diversas geografias, obrigando a viagens, em geral demoradas e dispendiosas, por vezes para... uma breve reunião, que hoje se traduz numa simples videochamada.

Consoante o setor de atividade e as organizações com que colaborámos, poderíamos já ter mais ou menos experiência em teletrabalho. Mesmo assim, o número de pessoas que já podia trabalhar ou trabalhava remotamente era muito reduzido em relação ao que se verificou nos períodos mais fechados da pandemia.

Fala-se muito em trabalhar horas a mais, enquanto em trabalho remoto. Não me parece. Acredito, sim, que tenha havido, por parte de muitas pessoas, uma maior dispersão ao longo do dia - por estar em casa, por ter familiares na mesma situação e porque as próprias hierarquias e os processos das organizações não estavam preparados para tal. A sabedoria popular e os ditados, por muito antigos que sejam, têm geralmente um fundo de verdade que é intemporal.

"No meio é que está a virtude" é um ditado que nos pode facilmente orientar. Não vamos agora querer todas as pessoas em trabalho remoto, nem a comunicar só através de meios digitais. Isso é contra a natureza humana. As organizações e as hierarquias têm que se preparar para gerir os seus colaboradores numa base de confiança, de autorresponsabilização e atribuir objetivos SMART em vez de controlar presenças e horários.

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