Como combater o estigma nos bairros sociais
O modelo tradicional dos barros sociais está ultrapassado, e há muito que se percebeu que não favorece a integração das pessoas rrais vulneráveis. Vultos países já abandonaram a velha fórrrula. Vas err Portugal ainda é essa a solução dominante. Há, no entanto, urra nova lógica para a habitação pública, que passa pelo maior envolvimento dos moradores nas decisões e err programas específicos para essas populações.
Essa nova tendência passa por tornar estes blocos habitacionais mais sustentáveis e mais ligados às cidades. Viver num bairro social é algo que muitas pessoas ainda escondem, com receio de serem alvo de discriminação no trabalho ou na escola Há um passado, difícil de apagar, marcado pela violência, droga, alcoolismo e desemprego de longa duração.
O estigma dessas "ilhas" urbanas ainda existe, apesar de muito estar a mudar nesses blocos de habitação pública. Têm sido postos em marcha vários projetos - ambientais, culturais, educacionais -, dinamizados pelas autarquias, em conjunto com os moradores e com entidades locais, com oobjetivo de promover a inclusão social. Vários desses programas alcançaram taxas de sucesso elevadas, e estão a dar frutos.
Agora há uma nova oportunidade para intervir nestes territórios - existem cerca de 1.200 milhões de euros alotados no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para reforçar o programa 1.° Direito, que visa promover soluções dignas de habitação. Em 2018, um levantamento do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IH RU) revelou que havia perto de 26 mil famílias no país em condições indignas. De um total de 307 municípios, 187 sinalizaram carências habitacionais. E as Areas Metropolitanas de Lisboa e do Porto concentravam 74% do total das famílias a realojar. O Governo admite que neste momento esses números já foram largamente ultrapassados por causa dapandemia. Ainda não foi realizada uma atualização deste "raio-x", mas há indicadores de que a situação se agravou.
Um estudo divulgado esta semana pelo Observatório Social da Fundação "la Caixa", da autoria do Center of Economics for Prosperity (PROSPER) da Universidade Católica de Lisboa, refere que a crise da covid-19 lançou na pobreza 400 mil pessoas em Portugal. "Os resultados mostram que a pandemia levou a um impressionante aumento de 25% da pobreza ao longo de um ano, quando comparados os cenários com e sem crise, pondo em risco os progressos feitos nos últimos 20 anos e invertendo a tendência de redução continuada da pobreza iniciada em 2015, quando a taxa de pobreza era de 19%", aponta o documento.
Viver numa habitação digna, além de ser um direito constitu Paulo Duarte r Iwi n_ 1; 0101». - 1 O Bairro do Lagarteiro, na freguesia de Campanhã, é uma das áreas prioritárias de intervenção social na cidade do Podo. O projeto do Urbinat financiado com fundos europeus do programa Horizonte 2020, pretende criar uma dinãmica no parque urbano que vai nascer na envolvente deste bloco de habitação pública, que favoreça a inclusão desta população. cional, é condição essencial para sair da pobreza. Sem uma casa de banho para a higiene diária, é dificil arranjar emprego e as crianças que não têm um mínimo de condições para estudar em casa, dificilmente terão sucesso escolar. Muitos municípios estão por isso a trabalhar as suas estratégias de habitação. Cada um procura soluções adaptadas à sua realidade, mas o foco mantém-se no modelo de bairro social.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 25 de junho de 2021