Céline Abecassis-Moedas: "O mundo do trabalho foi desenhado pelos homens e para os homens"
É uma parisiense a quem a luz de Lisboa arrebatou. Céline Abecassis-Moedas, professora associada da Católica Lisbon School Business & Economics, administradora não executiva da CUF e Vista Alegre Atlantis, mãe de três filhos, casada com Carlos Moedas, o recém-eleito presidente da Câmara Municipal de Lisboa, tem muito clara a consciência de que ninguém há-de perguntar ao marido como concilia a vida familiar com as exigências profissionais. E, no entanto, espera a todo o momento que lhe dirijam essa mesma pergunta. Mas não será nesta entrevista à Máxima. Do que aqui se fala é, entre outras coisas, de diferentes expetativas da sociedade e das famílias face a homens e mulheres. Num mundo laboral "ainda desenhado pelos homens e para os homens", como diz, apesar de todos os avanços das últimas décadas, Céline Abecassis-Moedas não abdica do percurso em nome próprio e procura transmitir a importância dessa mensagem quer aos filhos, quer aos alunos.
Doutorada em Estratégia Empresarial (pela École Polytechnique, Paris), é fundadora e diretora académica do Center for Technological Innovation & Entrepreneurship e professora associada nas áreas de Estratégia e Inovação. Antes de chegar à Universidade Católica, foi professora na Queen Mary University of London e trabalhou como consultora de estratégia na AT Kearney, em Londres, e como Gestora de Produto na Lectra, em Nova Iorque. Quando consegue encontrar um tempo para si, Céline gosta de ler ficção (sobretudo em francês, para manter a ligação à cultura em que cresceu), praticar pilates e acompanhar a Moda, de que é uma consumidora consciente. E de andar a pé nesta cidade que ainda a arrebata. Por ora, não tem reclamações a apresentar ao Presidente da Câmara.
É professora universitária, investigadora e, neste momento, também é administradora não executiva de duas empresas de topo em Portugal. O que é que estas duas áreas de trabalho lhe dão em termos intelectuais? Precisa de ambas?
Desde o princípio da minha carreira que tenho procurado estabelecer a ponte entre estes dois mundos, o académico e o empresarial. Quando terminei o meu doutoramento, em 1999, fiz uma coisa pouco vulgar: fui trabalhar para a indústria, ao contrário da maioria dos meus colegas que seguiram, de imediato, uma via académica. Eu ainda tinha dúvidas, queria ver mais do mundo prático antes de tomar uma decisão mais definitiva. Fui então para uma empresa francesa em Nova Iorque e concluí que não era só aquilo que queria fazer. Procurei um ponto intermédio, que é a consultadoria. Por isso, quando quis voltar à vida académica já trazia esta experiência prévia. Aqui na Católica, montei uma primeira cadeira de Strategic Consulting Pojects, com 12 alunos e duas empresas. Hoje, 10 anos depois, são 150 alunos, 30 projetos e 8 professores. E depois, um bocadinho por acaso, comecei a ter funções de administradora não executiva em empresas, onde sinto que são valorizadas pessoas não apenas com experiência, mas também com uma postura de independência e algum distanciamento em relação ao que se passa numa empresa. Por outro lado, a vida do investigador é muito solitária: trabalhamos sozinhos durante anos e depois publicamos o paper, que se for lido por 100 pessoas já será muito bom. Sabe a pouco, não é? A maneira de dar mais visibilidade a este trabalho é partilhá-lo com as empresas.
O que a levou a optar pela área dos Negócios e da Economia? O que queria ser quando crescesse?
Em pequenina queria ser bailarina, como tantas outras meninas. Depois, na adolescência, gostava muito de estudar, mas queria algo que não me isolasse das pessoas. Física ou Matemática ser-me-iam impossíveis, por exemplo. Acabei por optar pela Economia, talvez porque exigindo rigor e análise, não deixa de ser uma Ciência Social. Ainda considerei as Ciência Políticas, mas acabou por prevalecer a Economia.
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