Célia Manaia: “Microbiologia rima com Energia”
Nos anos 60 do século passado, Lynn Margulis, uma investigadora norte-americana, demonstrava que no interior das células de todos os animais e plantas vivem ex-bactérias. O que inicialmente parecia uma ideia ousada e irrealista rapidamente se tornou no relato de uma das mais fascinantes façanhas da evolução da vida na Terra. Ao longo dos anos, as evidências foram-se acumulando e hoje parece não haver muitas dúvidas de que há cerca de 1,5 mil milhões de anos, algumas bactérias, talvez à procura de abrigo, encontraram o parceiro ideal, mudando para sempre o curso da História da vida na Terra.
O mais espectacular nesta parceria, é que as bactérias não são simples parasitas a explorar as suas anfitriãs. Muito pelo contrário, são a razão do seu viver. Hoje chamamos-lhes mitocôndrias (existentes em praticamente todas as células eucarióticas, com núcleo e organitos celulares) e cloroplastos (existentes em células eucarióticas que realizam fotossíntese). O que poderá ter justificado esta união? Por que aceitaria uma célula pré-eucariótica (precursora das células modernas), ser parasitada por uma bactéria? Ao que tudo indica, foram meros interesses economicistas…
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Correio do Minho de 19 de outubro de 2022.
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