Carlos Morujão: "Friedrich Nietzsche — O Anti-Christo"
Muitas vezes caracterizou Nietzsche as suas obras como sendo obras de um psicólogo. Podemos, por isso, perguntar que tipo de psicologia é a que Nietzsche pratica e se, sendo de um psicólogo, a sua obra poderá ser lida como se da obra de um filósofo se tratasse.
A primeira pergunta não é muito difícil de responder. Nietzsche procura descobrir que tipo de vontade se encontra por detrás de cada religião, de cada moral ou de cada filosofia. Um exemplo relativamente fácil permitir-nos-á entender a natureza do tipo de questionamento que Nietzsche leva a cabo. Se admitirmos que algumas religiões defendem a existência de uma vida depois da morte, o psicólogo nietzschiano perguntará não pela eventual verdade dessa crença, mas sim pelo que quer, e de que modo quer, aquele que afirma que viverá eternamente. E aqui deparamo-nos com uma ideia que nos permitirá entender grande parte da produção literária de Nietzsche e, em particular, o seu O Anti-Christo: a ideia de que as vontades não se definem tanto pela força do querer, quanto pela sua qualidade. E essa qualidade pode ser afirmativa ou reactiva.
Nota: Pode ler o conteúdo na íntegra na edição impressa do jornal Público de 22 de dezembro de 2023.
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