Carlos Marques de Almeida: "Drones no Parlamento"
O Orçamento é uma descida aos infernos. O Parlamento ocupa horas infindas a discutir uma décima em cada milhão e um milhão em cada décima. Perante a ínfima literacia económica da grande massa de deputados, o Orçamento na especialidade é visto como uma multiplicação de orçamentos aplicados a cada caso e a cada causa. Para ser pomposo e arrogante convém lembrar que um Orçamento deve ser a concretização técnica de uma visão política. Quando não há visão política, o Orçamento na especialidade dispara em todas as direcções da demagogia, do oportunismo, do eleitoralismo, do mero delírio económico. A especialidade em Orçamento é o país em leilão, pois cada força política pretende licitar uma parcela especial da nação para benefício futuro. O que na verdade se discute no Orçamento é a divisão da herança, as partilhas de um património político exagerado. O Orçamento é uma espécie de garantia a prazo de um crédito político eleitoral.
Na ausência de uma maioria politicamente coerente, o Orçamento não é a máquina económica que permite posicionar Portugal na economia do Mundo. O país assiste a um desvario de posições de Portugal no Mundo, tudo ao ritmo de um pronunciamento político por minuto. Um Orçamento que enfrenta 2161 propostas de alteração arrisca-se a ser uma obra política colectiva em que todos são responsáveis e em que ninguém é responsável. É como jogar bowling nos Anéis de Saturno.
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