Bernardo Ivo Cruz: "Xi, Putin e uma hipótese impossível de provar"

A versão oficial da visita de Putin a Pequim mostrou proximidade, confiança e convergência estratégica entre Rússia e China. A declaração conjunta falou de multipolaridade, respeito pela soberania dos Estados e reforço do papel das Nações Unidas. Tudo isto confirma a solidez da relação sino-russa. Mas talvez seja precisamente aí que resida a pergunta mais interessante: poderá Xi Jinping ter levado Putin a considerar, ainda que sem o admitir publicamente, uma saída para a guerra na Ucrânia?

A resposta honesta é que não sabemos. Não existem provas de que Xi tenha imposto a Putin uma negociação, um cessar-fogo ou qualquer calendário para terminar a guerra. Também não seria plausível imaginar a China a humilhar publicamente a Rússia ou Putin a aceitar uma instrução explícita de Pequim. A política externa chinesa raramente funciona através de ultimatos visíveis, mas antes por enquadramentos, dependências, silêncios e mensagens indiretas.

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