Bernardo Ivo Cruz: "O que poderá fazer Pequim?"
Para lá de todos os horrores, a guerra na Ucrânia teve dois resultado que Moscovo não esperava: por um lado, fez renascer o Ocidente, que se uniu de uma forma que não víamos desde o fim da Guerra Fria e, por outro, mostrou o patriotismo Ucraniano, que Putin desdenhava. Um mês depois do início da guerra, a Ucrânia resiste e a NATO, o G7 e a União Europeia trabalham em conjunto, coordenam posições e ultrapassam os bloqueios e as dificuldades que em fevereiro pareciam intransponíveis.
No Pacífico, a outra grande potência do séc. 21 está numa situação mais complexa. Para compreender o dilema do Presidente XI, é útil recordar o contrato social proposto por Pequim, que se baseia em garantir aos chineses níveis de crescimento económico e desenvolvimento social assinaláveis, acompanhados pelo monopólio político do Partido Comunista, no famoso "um país e dois sistemas" onde o capitalismo económico convive com o centralismo político. Aliás, o Presidente Xi deixou a sua visão da organização do mundo muito clara em 2017, quando falou sobre "uma globalização regulada sem impacto nos sistemas políticos dos Estados".
Para manter o contrato social, a China tem que participar no mercado mundial, vendendo, investindo e fornecendo bens e serviços a quem os possa comprar e o Novo Caminho da Seda é um instrumento para garantir o crescimento económico e o desenvolvimento social. O Novo Caminho da Seda é, também, um instrumento de expansão da presença externa da China, oferecendo um modelo de desenvolvimento que tem permitido aumentar a sua influencia um pouco por todo o mundo e em particular em África.
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