Bernardo Ivo Cruz: "O mundo não é redondo e o Atlântico (já) não é o centro"

Quem comprar um mapa do mundo em Portugal verá a imagem familiar do oceano Atlântico no centro e o Pacífico junto às margens. Quem comprar o mesmo mapa no Japão verá que no centro está o Pacífico e o Atlântico está nos cantos. No primeiro caso, Portugal está no centro e no segundo caso está na periferia.

Convirá deixar claro que a descrição anterior reflete a dificuldade de se projetar uma esfera (o mundo) num plano (uma folha de papel) e não qualquer adesão às fantasias que sobrevivem na internet sobre a forma da Terra. Mas reflete também a transição do centro estratégico, político e económico do século XX para o século XXI.

Durante séculos, várias civilizações surgiram e entre a Mesopotâmia, a Grécia e Roma, o Egito, a China, o Japão, a Índia, a Etiópia ou as civilizações da América Central e do Sul, o mundo tinha vários centros, nenhum verdadeiramente dominante. Os Descobrimentos Marítimos estabeleceram ou reforçaram elos de ligação e conhecimento e as globalizações que se seguiram foram aproximando os vários mundos, estabelecendo um centro e várias periferias. E até há pouco tempo, a centralidade atlântica aparecia relativamente bem representada nos mapas que conhecemos melhor.

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