Bernardo Ivo Cruz: "O multilateralismo, quando renasce, é para todos?"

Há uma semana escrevi nestas páginas que "o consenso internacional que defendia que os problemas, desacordos e dificuldades entre os países se resolviam por meios pacíficos e que as intervenções militares unilaterais não tinham lugar nos instrumentos de política externa está em xeque. O idealismo que nasceu nos escombros do Muro de Berlim está a morrer nas ruas de Kiev". Felizmente, eu estava enganado!

Uma semana depois da invasão de um Estado soberano e membro das Nações Unidas, o exército russo ainda não atingiu os seus objetivos, enfrentando uma resistência feroz das forças armadas, do governo e do povo da Ucrânia. Ao mesmo tempo, numa inesperada manifestação de quase unanimidade da comunidade internacional, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou por 141 votos a favor e cinco contra uma resolução a condenar a Rússia, e muitos países tradicionalmente próximos de Moscovo optaram pela abstenção e não apoiar a decisão do presidente Putin. Paralelamente, organizações internacionais de diferentes origens, objetivos e composição juntaram-se ao consenso, as federações desportivas de praticamente todas as modalidades suspenderam as equipas russas, no que foram acompanhadas por organizações culturais e artísticas e as principais empresas do mundo cancelaram as suas atividades e negócios na Rússia, com custos e perdas que ainda estão por apurar.

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