Bernardo Ivo Cruz: "No que pensas quando pensas na Europa?"

No que pensamos nós quando pensamos na Europa? Na livre circulação, que nos permite viajar entre as margens do Atlântico e as fronteiras da Rússia sem termos de mostrar um passaporte ou trocar moeda? No roaming que não pagamos quando ligamos de learapetra na Grécia para Nuorgan na Finlândia, os extremos sul e norte da EU? Na possibilidade de vivermos, trabalhamos e estudarmos noutro país da União sem termos de pedir vistos ou autorizações? Nos Direitos, Liberdades e Garantias que temos pelo simples facto de gozarmos da Cidadania Europeia? No apoio ao desenvolvimento que os países mais pobres recebem e que é suportado financeiramente pelos países mais ricos? Nas regras que permitem comprar e vender bens e serviços em La Valeta, Malta como se estivéssemos em Montemor-o-Novo no Alentejo?

A relação de cada um de nós com a União Europeia varia conforme as nossas próprias experiências. A geração que se lembra da guerra e do pós-guerra poderá pensar na paz e na segurança que a Declaração de 9 de Maio prometeu e continua a cumprir. A geração que viveu à a sombra do Muro de Berlim e que assistiu ao reencontro da Europa na noite de 9 para 10 de novembro de 1989, quando os alemães se abraçaram pela primeira desde 1945, pensará na liberdade e na democracia que a Europa permite e apoia. A geração que nasceu e que vive sob a ameaça das alterações climáticas saberá que os desafios que enfrentamos são grandes demais para respostas nacionais e só terão soluções se agirmos em conjunto.

Nota: Pode ler este conteúdo na íntegra na edição impressa do Diário de Notícias de 07 de maio de 2024.