Bernardo Ivo Cruz: "Entre a força e o direito: implicações do caso iraniano"

Na madrugada de ontem, os Estados Unidos conduziram ataques cirúrgicos no Irão. E, portanto, este texto corre um grande risco de envelhecer mal antes de chegar às mãos da pessoa (se for uma) ou pessoas (se forem duas) que o leia ou leiam. Antes de mais, importa lembrar o obvio: a ameaça de um Irão dotado de armas nucleares é séria e não deve ser ignorada. Foi precisamente para conter esse risco que em 2015, os Estados Unidos e vários parceiros internacionais celebraram um acordo internacional com o Irão, impondo limites rigorosos e verificáveis ao programa nuclear em troca do levantamento de sanções. O acordo demonstrou que a diplomacia podia produzir resultados tangíveis. Porém, a sua revogação unilateral em 2018 por decisão de Donald Trump, enfraqueceu esse caminho e criou um vazio estratégico que poderá ter levado à situação atual.

Os efeitos reais do ataque ao programa nuclear iraniano só poderão ser verificados a médio prazo, embora os efeitos na paz possam ser mais rápidos, uma vez que o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão anunciou que o país irá responder. Já as repercussões para o sistema jurídico‑constitucional norte‑americano e para o sistema internacional foram imediatas. 

Artigo completo disponível no Diário de Notícias.