Azeredo Lopes: "O terramoto que veio da Haia"

O procurador-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI) anunciou ter solicitado ao juízo de instrução do mesmo tribunal a emissão de vários mandados de detenção dirigidos a altos responsáveis do Hamas e à liderança política de Israel. Não foi uma decisão verdadeiramente inesperada. Ainda assim, teve o efeito de um terramoto, tanto jurídico como político. Neste mundo que parece ter enlouquecido, ainda há pouco a ideia de sujeitar um primeiro-ministro de Israel a um processo desta natureza seria considerada meramente académica.

Comecemos pela cenograÆa da divulgação. Nas relações internacionais, como em quase tudo, a forma conta e pode, quantas vezes, dar-nos indícios claros de natureza substancial. Ora, neste caso, se há coisa que até visualmente impressiona é o alinhamento “horizontal” dos líderes do Hamas, Netanyahu e Gallant. Por muito que isso choque alguns israelitas (sou capaz de compreender o sentimento), qualquer que seja a sua cor política e o modo como veem o conÇito em Gaza, o procurador quis transmitir uma mensagem clara, em que, aliás, insistiu em entrevista a Christiane Amanpour: ninguém está acima da lei.

Nota: Pode este conteúdo na íntegra na edição impressa do Público de 22 de maio de 2024.