Arménio Rego: "As máscaras expressam emoções?"

Para mitigar os efeitos perversos das máscaras nos relacionamentos sociais, alguém se lembrou de um novo negócio: estampar na máscara a face do seu utilizador. A ideia faz sentido: ao interagirmos com a pessoa, vemos os contornos da sua face e identificamos nela alguma emoção. É possível, pois, que nos sintamos mais confortáveis ao interagir com alguém que mostra o seu rosto estampado na máscara do que com outra pessoa simplesmente mascarada.

Será mesmo assim? Tenho dúvidas.

Há dias, lecionando a primeira aula do semestre, convidei os alunos a apresentarem-se à turma. Após várias apresentações, deparei-me com uma aluna em cuja máscara estava o rosto estampado. Fiquei contente – finalmente, eu deparava-me com alguém que tinha um “rosto”. Quando partilhava com a aluna o meu contentamento (“gosto da sua máscara”), o meu cérebro conduziu-me a esperar… movimentos no seu “rosto”. Eu havia vislumbrado uma emoção na aluna e, ao conversar com ela, esperava ver alguma reação emocional.  Naturalmente, o “rosto” continuou a sorrir como se se eu nada tivesse dito – e o meu cérebro informou-me da minha frustração.

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