Arménio Rego: "A empresa como empreendimento coletivo"
Os incentivos que remuneram os executivos resultam de uma lógica simples: devem ser premiados por contribuírem para o desempenho das suas empresas. A legitimidade desse princípio é inquestionável. Mas o desempenho de uma pessoa, por mais meritória que seja, é facilitado pelo contexto em que opera e pelas pessoas que com ela trabalham.
Como pode alguém, sozinho ou no seio de uma pequena equipa de gestão, aumentar o valor da empresa sem a dedicação, o esforço e o mérito de dezenas, centenas ou milhares de empregados? Não é isso que se presume quando se apregoa que “as pessoas são o ativo mais importante da nossa empresa”? Se os executivos acreditam realmente nesse slogan, porque não partilham com essas pessoas os frutos do valor criado? Alguns fazem-no, mas outros não.
A justificação dos incentivos também assenta, frequentemente, no trabalho árduo dos executivos – as pressões, as longas e intensas horas de trabalho, a multiplicidade e a complexidade dos desafios, e as viagens extenuantes que perturbam a saúde, o bem-estar e o equilíbrio trabalho-família.
Estas são razões legítimas e eticamente pertinentes. Mas, do ponto de vista ético, importa que o critério da agrura seja também usado para remunerar empregados que dão o corpo ao manifesto, arriscam a saúde e a vida, operam em ambientes perigosos e, mesmo esfalfando-se, ficam arredados de uma vida digna – que lhes permita aceder, para si e a família, a bens essenciais relacionados com a habitação, a saúde e a educação.
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