António Borges: "Quando a terra treme: a Enfermagem na crise humanitária"

Cuidar em catástrofe ultrapassa a mera resposta a uma lesão ou à estabilização do corpo ferido. Recentemente, perante os sismos que atingiram a Venezuela, a enfermagem afirma-se como profissão - e ciência - essencial na proteção da vida e da dignidade humana. Nos escombros, o enfermeiro não reconhece apenas vítimas ou prioridades de triagem; reconhece pessoas com história, vínculos, medo e esperança. Mesmo quando a vida já não pode ser preservada, subsiste o dever ético de cuidar para além da vida, com base na humanidade e no conhecimento científico: respeitar o corpo, proteger a identidade e impedir que a morte reduza a pessoa a um número ou objeto.

Uma fase crítica é a resposta inicial de busca, resgate e salvamento. Os enfermeiros atuam em ambientes instáveis, marcados por réplicas, destruição, falhas de comunicação, escassez e assimetrias de risco. A sua intervenção inclui triagem, controlo de hemorragias, estabilização clínica e evacuação. Porém, não se esgota na técnica: a pessoa retirada dos escombros necessita de orientação, conforto, presença e segurança emocional. Perante o caos, o enfermeiro confirma que aquela vida permanece investida de dignidade.

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