André Azevedo Alves: "A última oportunidade do PSD?"
A implantação nacional do PSD garante-lhe que não seguirá a curto prazo o destino do CDS mas a liderança de Luís Montenegro poderá muito bem ser a última oportunidade para o PSD manter a sua posição como um dos dois grandes partidos nacionais e alternativa natural de governação ao PS. Se Montenegro e quem o acompanha não forem capazes de inverter a trajetória de declínio do PSD, é bem possível que os resultados das legislativas de 2022 se apresentem apenas como um primeiro passo decisivo no sentido da reconfiguração do espaço da direita portuguesa no sentido do padrão mais comum no resto da Europa. Não é demais recordar que em múltiplos países europeus – com destaque para vários sociologicamente e culturalmente mais próximos de Portugal, como França, Espanha e Itália – os partidos tradicionais de centro-direita têm visto parte substancial do seu espaço tradicional ocupado por novos partidos. Essas novas forças partidárias são diferentes entre si mas todas incorporam pelo menos alguns elementos do que se convencionou designar como radicalismo ou populismo, numa linha cujo representante mais próximo em Portugal é inequivocamente o Chega, liderado por André Ventura.
Apesar de relativamente pouco conhecido, Montenegro tem uma boa imagem e um perfil combativo que pode ser adequado para o actual contexto. Seria no entanto um erro para o novo líder do PSD desvalorizar os riscos da concorrência directa de André Ventura. Importa recordar que, não obstante a elevada taxa de rejeição por amplos segmentos do eleitorado de que padece o líder do CH, Ventura apareceu já em alguns estudos de opinião como sendo percepcionado como o líder da oposição, superando o anterior líder do PSD Rui Rio.
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