André Azevedo Alves: "Rio, o sobrevivente"
A vitória de Rui Rio contra Paulo Rangel – a terceira em eleições directas no PSD – consolida a sua imagem de sobrevivente político. Foi também uma inequívoca vitória pessoal de Rio e do seu núcleo duro – com destaque, uma vez mais, para Salvador Malheiro. Rio consegue resistir na liderança do PSD contra uma candidatura apoiada por grande parte dos notáveis do partido e que gozou de amplo apoio mediático e até de alguns sinais claros de preferência oriundos de Belém. Tudo factores que Rio conseguiu capitalizar eficazmente a seu favor posicionando-se no papel de candidato das bases com suporte nacional que resistiu uma vez mais com sucesso à ofensiva despoletada pelas elites político-mediáticas do eixo Lisboa-Cascais.
Importa recordar que a imagem de resistente e sobrevivente não é uma novidade na carreira política de Rio. Foi eleito no final de 2001 Presidente da Câmara Municipal do Porto numas eleições nas quais, à partida, muito poucos acreditavam na possibilidade da sua vitória. Conseguiu depois ser reeleito duas vezes, não obstante ter enfrentado várias polémicas e um conflito aberto com o Presidente do FC Porto, uma das figuras mais influentes da cidade. Com os seus três mandatos cumpridos, Rui Rio conseguiu inclusivamente ser o Presidente da Câmara do Porto que mais tempo esteve em funções.
Na trajetória política de Rio, vale a pena lembrar também que, antes da surpreendente vitória autárquica no Porto, foi Secretário-Geral do PSD entre 1996 e 1997, durante a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa. Nesse período, do qual certamente tanto Rio como Marcelo guardam memórias ricas e muitas histórias para contar, Rio desencadeou o célebre processo de refiliação dos militantes do PSD, acabando aliás por deixar o cargo na sequência das fortes divergências suscitadas por esse processo.
Esta breve contextualização histórica do trajecto político de Rui Rio é importante não só para melhor compreender o seu perfil mas também as suas perspectivas para as próximas legislativas. As eleições de 30 de Janeiro serão inequivocamente difíceis para o PSD, mas é um erro subestimar as possibilidades de Rui Rio, ainda para mais num contexto em que sai legitimado e reforçado pela sua vitória interna. Curiosamente, uma vitória interna para a qual contribuíram as várias sondagens que apontaram Rio como estando melhor preparado e tendo melhor perfil para assumir funções de primeiro-ministro do que Rangel (aguarda-se aliás com alguma antecipação a forma como Rio reagirá às sondagens relativas às próximas legislativas).
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