André Azevedo Alves: "O fracasso do modelo soviético na educação"
Na sequência do meu artigo anterior sobre o colapso dos serviços públicos em Portugal, creio que vale a pena dedicar alguma atenção adicional ao sector da educação. Uma reflexão cuja oportunidade foi parcialmente motivada pelo caricato episódio dos dados imprecisos sobre a anunciada redução de 90% no número de alunos sem aulas a uma disciplina no ensino estatal. O Ministro da Educação Fernando Alexandre veio assumir publicamente o erro nos números de alunos sem aulas, lamentando ter indicado essa informação.
Se por um lado a admissão pública rápida, clara e inequívoca do erro abona a favor do carácter e seriedade de Fernando Alexandre, por outro este episódio levanta sérias questões sobre a forma como são formuladas, implementadas e avaliadas as políticas públicas – neste caso de educação – em Portugal. Se o Ministro não consegue ter estatísticas fiáveis sobre algo aparentemente tão simples como o número de alunos sem aulas a uma disciplina nas escolas estatais, é caso para perguntar como será possível gerir de forma minimamente eficaz e eficiente o sistema estatal de ensino.
Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes do jornal Observador de 4 de dezembro de 2024.
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