André Azevedo Alves: "O fracasso de Marcelo e a nossa responsabilidade"

Como o título indicia, este não será um artigo simpático para o legado político de Marcelo Rebelo de Sousa. Parece pois justo e equilibrado começar por destacar o que pode ser realçado como positivo em Marcelo. Em primeiro lugar , e como lhe é amplamente reconhecido , Marcelo destaca-se pela sua inteligência. É fácil para um observador informado desvalorizar a endogamia extrema (mas também infelizmente típica em Portugal, em especial na área do Direito) da sua trajetória académica, mas seria um erro ainda assim desvalorizar a sua inteligência. Em segundo lugar, acredito que a empatia demonstrada por Marcelo no contacto pessoal é, pelo menos em parte, genuína.

Sendo certo que a propalada “sensibilidade social” do Presidente foi quase sempre politicamente inconsequente e que a abordagem privilegiada foi muitas vezes casuística (e por isso dada a arbitrariedades e potenciais injustiças), creio que Marcelo foi tendencialmente genuíno nas suas expressões públicas de empatia. Por fim, estou também convencido de que Marcelo acreditou nas suas decisões estar a fazer o melhor segundo a sua ideia do que o país deveria ser, ainda que tenha estado com frequência profundamente errado.

Nota: este conteúdo é exclusivo dos assinantes do Observador de 18 de março de 2026.