Ana Lagoa: "O Clima muda, e nós mudamos com ele?"

Os episódios recentes de tempestades intensas em Portugal não são eventos isolados, nem meras anomalias meteorológicas. São manifestações locais de alterações estruturais no sistema climático global, cuja evidência científica é hoje robusta e amplamente consensual.

Uma das alterações mais relevantes diz respeito à posição do anticiclone dos Açores, um sistema de alta pressão que historicamente funciona como uma espécie de “escudo” natural para a Península Ibérica, influenciando a estabilidade atmosférica e desviando depressões e frentes atlânticas. No entanto, tem-se observado que este anticiclone tem vindo a deslocar-se para sul com maior frequência e intensidade.

Esta mudança não é neutra. Quando o anticiclone se posiciona mais a sul, perde-se esse efeito de bloqueio, permitindo que tempestades vindas do Atlântico atinjam diretamente o território português com maior intensidade e frequência.

Este fenómeno está diretamente relacionado com alterações na circulação atmosférica de larga escala, incluindo variações no Jet Stream e no gradiente térmico entre o Ártico e as latitudes médias.

Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes do Observador de 8 de maio de 2026.