Ana Evans: "Intromissão Cibernética – um novo recurso de poder"

A acelerada transformação de processos através de tecnologias e dispositivos eletrónicos ao longo das últimas décadas propiciou a descentralização de estruturas de produção, distribuição e consumo a nível global e contribuiu para a otimização de redes de distribuição (fornecimentos just in time) e forte concorrência de preços. O desenvolvimento de redes de fornecimento dispersas geograficamente induziu intensa interdependência entre Estados e mitigou os desígnios de soberania e segurança nacional predominantes durante a Guerra Fria.

A invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022 expôs os riscos de dependências assimétricas no comércio global e dilacerou o padrão multilateral de interdependência que caracterizou o sistema político internacional no advento do novo milénio. O bloqueio pela Rússia de exportações de cereais, fertilizantes, pesticidas agrícolas e gás agravou tendências inflacionistas nos países desenvolvidos e impediu temporariamente o acesso de nações mais pobres a bens essenciais. Neste contexto, a segurança no aprovisionamento de produtos vitais para a economia e a sociedade rapidamente assumiu um lugar central na geoestratégia das potências globais. É o caso das matérias-primas críticas e terras raras utilizadas no fabrico de tecnologias e dispositivos eletrónicos e digitais, nomeadamente os smartphones e computadores que usamos no dia-a-dia, os veículos e plataformas que transportam bens, serviços, pessoas, e informação, e os dispositivos que produzem energias limpas, imprescindíveis para a reversão do aquecimento global.

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