Álvaro Balsas: "O Estado e o catecismo da religião do género"
A recente tomada de posição do Ministério Público (MP) no sentido de exigir que os filhos de Artur Mesquita Guimarães, Tiago e Rafael, de Famalicão, por não frequentarem a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, fossem subtraídos “durante o período escolar” à autoridade do lar familiar, a fim de serem colocados à guarda da escola, deve fazer sobressaltar qualquer cidadão que preze a liberdade como condição inalienável de qualquer ser humano e como condição básica de convivência numa sociedade democrática. Segundo o MP, tal medida apresentar-se-ia “como do superior interesse dos jovens e com potencial a, definitivamente, afastar situação de perigo existencial dos mesmos”.
O crime parece ser muito simples: o pai pretende impedir, também junto dos tribunais, que os filhos sejam doutrinados no catecismo da “religião” do género, e demais matérias de sexualidade, com que o Estado, mediante a disciplina de Cidadania, pretende, de maneira coerciva e obrigatória, fazer sair das trevas as suas consciências, ao arrepio dos valores desta família. Dir-me-ão que é obrigação do Estado promover os valores comuns da cidadania e da tolerância. Sim, em geral, desde que tais valores sejam amplamente aceitáveis, como é, por exemplo, quando se defende que nenhuma pessoa deve ser marginalizada ou ofendida na sua dignidade por ela se assumir como pertencendo a um género hétero, homo ou de qualquer outra variante. O que não podemos admitir é que num Estado democrático se queira impor propagandisticamente o catecismo de uma ideologia de género, agora na moda, com a pretensão de ser “científica” e sob o pretexto de se estar a promover uma sociedade tolerante.
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