Alfredo Teixeira: "A sociedade da competição"

Recentemente, em Nairobi, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmava que, se o planeta Terra fosse um paciente, estaria internado nos cuidados intensivos. O seu "estado febril", com a temperatura a aumentar, e a precaridade da sua "capacidade pulmonar" colocam o paciente nos cuidados intensivos. Tendo em conta o teor da notícia da Lusa, podemos afirmar que Tedros Adhanom Ghebreyesus, com esta analogia, procurou inscrever este problema do quotidiano das pessoas, mobilizando o léxico da saúde e da doença, uma linguagem que está próxima da experiência de todos.

Falamos de problemas que exigem a mobilização de competências técnicas, convocam compromissos políticos e instauram a necessidade de novas aprendizagens éticas. Mas, nesse percurso, também precisamos de saber "empalavrar" o mundo – tomo de empréstimo este verbo sugerido pelo pensador catalão Lluis Duch. Não se trata de poluir com mais palavras. Trata-se antes de pensar o modo como estes problemas tomam corpo na nossa linguagem e se tornam cultura.

Artigo completo disponível na Renascença.