Alexandre Freire Duarte: “Veritatis splendor” e o prazo de validade de um tiro na mouche

A vida não me tem sido propícia a estar tão atento quanto devia ao que tem sido noticiado ou comentado nos meios de comunicação, hoje, e bem, repletos de textos de grande relevo ocasional. Fruto disto, e tendo dado tempo ao tempo, não sei se alguém, em Portugal, escreveu sobre a passagem dos trinta anos da Encíclica “Veritatis splendor” de João Paulo II. Caso tenham sido escritos, ignorem, por favor, estas palavras, que nada de proeminente terão a acrescentar a essas considerações. Caso não tenham, quiçá por estarem mais atentos do que eu aos “sinais dos tempos” tão quentes que temos vivido, talvez o que direi possa ajudar alguém.

A minha memória já não é o que foi, e admito, com toda a franqueza, que li a “Veritatis splendor” pela última vez aquando da primeira vez que o fiz: há vinte anos e no âmbito dos meus estudos de Teologia Moral. Não sei dizer se se trata de um texto mais ou menos importante do que outros da mesma natureza – é difícil comparar estas realidades –, mas na altura em que li tal Encíclica, e numa convicção que se mantém quase inalterável até hoje, senti que era uma Obra magnífica e que, assim, não pôde senão moldar-me como aprendiz de teólogo. E isto, mesmo quando, posteriormente, revi algumas das minhas compreensões e elucidações acerca da mesma, pois um “desenvolvimento” – algo distinto de “progresso” – é natural nestas situações.

Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes do Observador.