Alexandre Freire Duarte: "O perdão, construtor capital da identidade pessoal"

Os tempos anteriores às eleições são propícios a exageros de todos os tipos: promessas, diatribes, insultos e até comentários acrimoniosos vindos de onde menos se esperaria. É a natureza humana, e a ela conto voltar depois deste texto (passível de ser lido por 15 a 20 pessoas) que – antes de vir a ser publicado de modo aprofundado numa revista científica (onde será visto por duas a três pessoas) – versa sobre a estranha ligação entre o perdão e a edificação da nossa identidade.

Advirto que partirei, na minha reflexão, desde uma matriz convictamente cristã. Uma matriz cujo valor intrínseco a dever ser considerado e avaliado sem preconceitos, como qualquer outra leitura da realidade que seja fiel à verdade e ao real dessa realidade.

Com isto em consideração, e pressupondo que quem me vier a ler terá um conhecimento mínimo da narrativa cristã do perdão – sem cujo conhecimento ninguém pode dizer que está habilitado a falar sobre o perdão, devido à importância dessa narrativa na nossa matriz civilizacional –, afirmo que esta narrativa é única. E é-o, com base quer numa análise teocêntrica, quer numa análise antropocêntrica (tão desvirtuada, por exemplo, pelo simpático Paul Ricœur, que só parece acertar quando erra), embora a coexistência destas duas perspetivas nos coloque ante uma genuína instabilidade.

Artigo completo disponível no Observador.