Alexandre Freire Duarte: "Lágrimas pelos abusos dos irmãos evangélicos"

Posso andar, como é costume, muito distraído com muitas coisas, mas tenho reparado, com surpresa, que os órgãos de comunicação social portugueses não têm dado qualquer reparo a mais uma ferida horrenda ao que os cristãos históricos chamam, com diversas entoações e adequações, de Corpo Místico de Cristo: a Igreja. Não quero ser injusto, mas, inspirando-me em William Thompson, às vezes sinto que a atenção, que muitos desses órgãos conseguem dispensar da busca de ornamentações para si mesmos, é dedicada, por eles, à desatenção dos seus deveres.

Refiro-me singularmente ao relatório de abusos sexuais cometidos pelas diversas denominações evangélicas dos EUA. Compreendo que, efetivamente, diversas folhagens de oceanos nos afastam dessa situação: o geográfico, que une e separa as costas da nação Lusa às/das dos EUA; o histórico, decorrente de, em Portugal, se dar mais atenção à Igreja Católica, talvez devido ao seu, mais ou menos machucado, papel e subsequentes frutos desejados e, por vezes, desprezados (ainda que usufruídos); o narrativo, resultante de não se poder perpetuar uma série de mitos que, com benignidade e humildade, mencionarei mais adiante.

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