Aldino Santos de Campos: "O plástico e o desejo de voltar ao passado"

Recordo-me ainda de num passado não muito distante praticarmos muitas ações às quais hoje chamamos amigas do ambiente. Ações como comprar pão e trazê-lo num saco de pano, beber leite vendido em garrafas de vidro e entregar praticamente todo o vasilhame, não para ser reciclado, mas sim reutilizado, eram a regra. Obviamente, estas não eram entendidas como ações amigas do ambiente, nem tão pouco isso era uma preocupação. Apenas nos regíamos pelo que a economia nos proporcionava. 

Com o aparecimento do polietileno, de forma massiva no nosso dia a dia, tudo mudou. Foi como se de repente já nada era necessário reutilizar porque o descartável ajudava, de certa forma, o acelerar do consumo e, consequentemente, a economia. O uso desmesurado do plástico nas nossas vidas veio dar uma falsa sensação de pseudossegurança sanitária, pois o artigo consumido era apresentado numa embalagem de utilização única. Era, de facto, prático, mas a fatura dessa facilidade poderá revelar-se extremamente cara ao nível da saúde humana, hoje ainda sem um custo final completamente definido.

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 7 de fevereiro de 2023.