Aldino Santos de Campos: "A estratégia da China para o Ártico"

A estratégica de longo prazo levada a cabo pela China nas últimas décadas assenta numa abordagem de interdependência complexa, consolidando o país como potência económica global. Embora com características singulares, por vezes tensas ao nível da regularização das trocas comerciais, esta interdependência tem permitido evitar a escalada das tensões através de soluções ganhadoras para as partes envolvidas. Esta fórmula, que também contribuiu para o não envolvimento da China em qualquer conflito militar nas últimas quatro décadas, permitiu uma consolidação económica sem precedentes desta potência asiática. Facilmente podemos atestar esta realidade através da sua capacidade exportadora com o elevado número de facilidades portuárias que serve de polo agregador para esse fim. Não é, portanto, de estranhar que na lista dos 10 maiores portos comerciais do mundo se encontrem sete portos chineses.

Paralelamente às facilidades portuárias, há ainda a necessidade de assegurar rotas marítimas exequíveis para que a carga chegue ao seu destino, bem como garantir uma importação energética que sirva de motor económico. Dentro da iniciativa milenar da rota de seda, podemos hoje encontrar rotas marítimas perfeitamente consolidadas para o escoamento destes bens de consumo. Seja para leste, em direção à costa norte-americana do Pacífico e a passagem para o Atlântico através do canal do Panamá, ou para oeste, através do mar do Sul da China, estreito de Malaca e canal Suez, estas rotas marítimas estão sempre sujeitas a potenciais limitações inerentes aos diversos pontos de passagem restritos. 

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 24 de maio de 2022.