Aldino Campos: "O inverno das Nações Unidas"
Durante grande parte do período que se seguiu ao fim da Guerra Fria, instalou-se a perceção de que a ordem internacional liberal, assente em regras multilaterais e em instituições globais, teria capacidade para gerir as principais crises internacionais. No centro deste sistema encontrava-se a Organização das Nações Unidas, concebida como o principal fórum de concertação entre Estados e como instrumento de prevenção e resolução de conflitos. Hoje, porém, a realidade parece bem diferente.
O regresso da competição estratégica entre grandes potências, o agravamento das tensões regionais e a crescente fragmentação do sistema internacional expõem as limitações de um modelo de governação global que depende, em larga medida, da capacidade de compromisso entre atores cujos inter'esses se tornaram novamente divergentes. O bloqueio recorrente do Conselho de Segurança em várias crises recentes é apenas o sintoma mais visível desta transformação.
Nota: Pode ler este conteúdo na íntegra na edição impressa do jornal de Negócios de 17 de março de 2026.