Aldino Campos: "COP30: quando os dois pulmões do planeta são postos à prova"
A COP30 decorre esta semana, em Belém, num ambiente de urgência que dificilmente poderia ser mais simbólico. Enquanto as delegações de todo o mundo se reúnem na porta de entrada da Amazónia, o planeta assiste, quase em tempo real, ao confronto entre ambição climática, interesses económicos contraditórios e políticas nacionais cada vez mais divergentes. A conferência já não é sobre o futuro, mas sobre um presente que se estreita. A fragmentação global manifesta-se de forma clara.
Cada país avança ao seu próprio ritmo, e as diferentes velocidades económicas tornaram-se um dos maiores obstáculos à ação climática coletiva. As economias mais prósperas oscilam entre compromissos ambiciosos e recuos estratégicos ditados por ciclos eleitorais, enquanto as economias emergentes tentam equilibrar desenvolvimento, estabilidade social e sustentabilidade. Os países mais vulneráveis pedem urgência, financiamento e justiça climática, mas continuam a ser os que menos contribuem para o problema e os que mais sofrem as suas consequências.
Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes do jornal de Negócios de 10 de novembro de 2025.