Aldino Campos: “As cicatrizes do Mediterrâneo Oriental”
Os ventos que sopram do Leste europeu não têm sido dos melhores. O atual conflito na Ucrânia tem modificado a ordem internacional vigente para um formato ainda em evolução. Os atores regionais vão ajustando as suas estratégias por forma a minimizar danos económicos e consequências políticas. Um ator que tem ganho uma relevância incontestável neste conflito é a Turquia. Este Estado tem demonstrado a sua habilidade político-diplomática conseguindo articular com ambas as partes beligerantes e servindo de palco principal para a mediação internacional, em especial com as Nações Unidas (ONU). O sucesso na mediação da crise dos cereais foi um exemplo da diplomacia turca que, três dias após o encontro entre Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan em Teerão, conseguiu concretizar em Istambul a assinatura de um acordo de exportação, através do mar Negro, entre a Ucrânia, a Rússia, a Turquia e as Nações Unidas. Obviamente, o enquadramento geográfico joga muito a favor da Turquia. O controlo dos estreitos do Bósforo e do Dardanelos, através da Convenção de Montreux sobre o Regime dos Estreitos (1936), confere a este país uma posição única de regulação da atividade marítima, em especial em tempo de guerra.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 20 de setembro de 2022.