Alberto Castro: "O IRC faz-nos tanta falta!"

Em tempos, foi criado um grupo para estimar os prejuízos, para os comerciantes, decorrentes de umas obras públicas que se eternizavam. Nas entrevistas, as perdas estimadas andavam à volta dos 50% das vendas. Para calcular as eventuais indemnizações foi preciso, como é óbvio, objetivar valores. Solicitadas as declarações fiscais, e após alguma resistência, as mesmas foram entregues e… praticamente ninguém pagava (ou tinha pagado) imposto; os resultados operacionais eram, em regra, baixíssimos, quando não negativos; o volume de vendas irrisório. As indemnizações, quando havia lugar a elas, eram, por norma, insignificantes. Resultado? Revolta dos comerciantes (“sabe como é: não se pode declarar tudo!”) e estudo na gaveta.

A economia paralela corresponde a cerca de um terço do PIB, mais de 80 mil milhões de euros. Nela cabem atividades criminosas, no sentido estrito da palavra, como o tráfico de droga, até outras com as quais convivemos todos os dias, do pequeno comércio aos serviços os mais variados não documentados, passando, ainda, por outras como a ocultação de rendimentos em paraísos fiscais.

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