Alberto Castro: "Literacia e jornalismo"
“Até tivemos de alugar salas (de operações) nos privados!”. Mais coisa, menos coisa, foi este o desabafo de um gestor hospitalar, questionado sobre os atrasos revelados num relatório da Entidade Reguladora da Saúde. Foi o que o jornalista quis ouvir para, todo lampeiro, perguntar: “E os custos?”, ao que o dito administrador retorquiu “vários milhões!”. Uma conversa elucidativa, mas muito pouco esclarecedora. Se me tivesse sido permitido intrometer-me na conversa, poderia ter perguntado “e quanto custaria no público?”. Ou “a falta de resposta pública, deve-se apenas a falta de instalações e equipamentos ou, também, a problemas de organização e gestão?”. Ou, ainda “esta carência, é crónica? Qual o investimento necessário para a suprir?”.
Se, neste caso, o jornalista se atreveu a, pelo menos, fazer perguntas, noutros os “jornalistas” limitam-se a segurar no microfone. Por exemplo, ouvem-se as queixas dos empresários de vários setores: “os custos estão a aumentar imenso: os combustíveis, 30%; os fertilizantes, 50%; os transportes 30%; …”. A pergunta óbvia seria “quanto pesam esses fatores no custo total de produção?”.
Artigo completo disponível no Dinheiro Vivo.
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