Alberto Castro: "Ingenuidade"

Num tempo de (i)mediatismo há um velho aforismo, “devagar que tenho pressa!”, que vale a pena resgatar. A política e as políticas seriam, por princípio, o domínio em que tal máxima teria mais sentido. Intuitivamente, dir-se-ia que seria mais fácil de adotar quando, quem governa, dispõe de uma maioria absoluta. Não chega: é preciso querer e saber (ou será, saber para querer?). Episódios recentes atestam-no. Em democracia, a construção de uma visão e estratégia de longo prazo é mais virtuosa se for assente em consensos alargados, quer política quer socialmente. A Irlanda é um exemplo. Alcançá-lo implica a grandeza de espírito para entender que, ceder para atingir um bem maior, é ganhar. Algo difícil de alcançar quando campeiam os arrivistas, cheios de “a prioris” ideológic0s, que os predispõem à bravata e não ao diálogo.

A discussão do atual orçamento é exemplo acabado da nossa dificuldade em superar o imediatismo, mesmo quando proclamamos o contrário. O frenesim de medidas avulsas, alimentadas pela oposição, pela contestação corporativa ou pelo populismo, incluindo o governativo, criaram um contexto vicioso de que, nem governo nem o PS, se conseguiram libertar. O consenso em torno da necessidade do crescimento e de corrigir desequilíbrios variados, da importância de salvaguardar o equilíbrio orçamental e a diminuição do peso da dívida pública, parecia denominador comum alargado o bastante para garantir uma discussão profícua, mesmo que a hierarquia das prioridades pudesse diferir. 

Artigo completo disponível no Dinheiro Vivo.