Alberto Castro: "Economia e sociedade"
A economia nasceu política, economia política. Uma ciência social. Com o tempo, os ventos mudaram. Houve quem pretendesse higienizá-la, torná-la asséptica. Uma ciência exata. Economics, tal como Physics ou Mathematics. Tão ciência que, como estas, também fosse digna de um Prémio Nobel. Lá o teve. Comprado, qual título nobiliárquico (um Nobel pouco nobre), pelo Banco Central da Suécia, cerca de 70 anos após os originais. Na altura certa: após a II Guerra Mundial, seguiram-se décadas em que tudo parecia fluir ao sabor da economia, no melhor dos mundos, tirando um ou outro soluço, mais ou menos passageiro. A sociedade parecia domada, adormecida, deslumbrada. De tal ordem que houve quem proclamasse o fim da história.
E, no entanto, como diria Galileu, movia-se. Vários tumores foram lenta, mas persistentemente, começando a minar a saúde das sociedades, primeiro sem sintomas aparentes, depois numa explosão de metástases, facilitada por mudanças geopolíticas: pobreza endémica e assimetrias de riqueza e rendimento, nas economias ricas; envelhecimento das populações, um pouco por todo o mundo desenvolvido, pondo pressão na rede social; problemas de sustentabilidade ambiental ínsitas ao modelo económico dominante; assimetrias territoriais; clivagens geracionais, eu sei lá.
Artigo completo disponível no Dinheiro Vivo.
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