Ainda não é o fim do PSD. Mas há sete sinais de erosão

As notícias da erosão eleitoral do PSD, após a vitória absoluta de António Costa, não são manifestamente exageradas. Prova disso é a nova aritmética parlamentar que saiu das eleições do passado dia 30 de janeiro – que tem tudo para ser uma dor de cabeça, durante os próximos quatro anos, em São Caetano.

O primeiro social-democrata a lançar o alerta foi o antigo deputado do PSD Pedro Rodrigues. Ainda no rescaldo da ida às urnas, em entrevista à Renascença e ao “Público”, deixou no ar o cenário mais dramático possível: “As organizações não são eternas.” Por outras palavras, o PSD pode desaparecer.

Em entrevista à Renascença, ainda esta sexta-feira, o autarca social-democrata Carlos Carreiras afirmou também que “o PSD está numa situação extremamente difícil” e é “um partido que se tornou irrelevante na política nacional”.

Dramatismos políticos à parte, a sobrevivência do partido fundado por Sá Carneiro será, efetivamente, um problema real? Em 2017, foi nada menos nada mais que Rui Rio, o líder partidário que está de saída, a colocar essa possibilidade em cima da mesa.

"Se não olharmos lá para fora [Europa], para o que está a acontecer a outros [partidos], e olharmos ao mesmo tempo para aquilo que são os avisos que temos cá dentro, corremos o perigo de nos acontecer a mesma coisa [quase desaparecer]", disse, a propósito do resultado parco – apenas 8% - do Partido Socialista de François Hollande nas presidenciais em França.

Volvidos cinco anos, duas eleições legislativas depois, a premonição de Rui Rio começa a ganhar peso. Mas, parafraseando o poeta Manuel António Pina, 2026 “ainda não é o fim nem o princípio” do PSD, “é apenas um pouco tarde”. A Renascença conversou com António Martins da Cruz, diplomata e ex-governante pelo PSD, André Azevedo Alves, professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, e com o politólogo e escritor Jaime Nogueira Pinto, e compilou uma lista de sete sinais para ler no horizonte laranja.

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