Projetos

Ana Madsen: "O dia em que a IA bateu à porta da religião para pedir ajuda espiritual"

É verdade. Aconteceu mesmo.

No mês de março, a Anthropic, empresa de inteligência artificial (IA) avaliada em 380 mil milhões de dólares, procurou líderes religiosos cristãos. Segundo o “The Washington Post”, a Anthropic – um dos principais atores na corrida da IA e criadora do chatbot Claude – reuniu 15 líderes numa cimeira de dois dias para aconselhamento sobre como orientar o desenvolvimento moral e espiritual do Claude.

Efetivamente, há situações com as quais o Claude não sabe lidar, como dilemas éticos complexos e imprevisíveis, onde surge a perceção de que é necessário incorporar pensamento ético na IA.

Este encontro “Silicon Valley – Líderes Religiosos Cristãos” ocorre num momento de crescente pressão sobre as tecnológicas para responderem pelo impacto das suas ferramentas (OpenAI e Google já enfrentam processos ligados a interações com chatbots).

Artigo completo disponível no Jornal Económico.

Vasco Rodrigues: "O bê-á-bá"

O gasóleo está pela hora da morte. E poucas coisas prejudicam mais a reputação dos economistas do que episódios de subida dos preços, como o que estamos atualmente a viver, fruto do voluntarismo, digamos assim, do presidente Trump.

A população, atingida no seu poder de compra, protesta e clama contra os malandros das gasolineiras, os gananciosos dos hipermercados e outros patifes que tais. As empresas confrontadas com matérias-primas e produtos mais caros reclamam apoios urgentes como única forma de evitar encerramentos massivos com graves consequências sociais. Os políticos sentem-se obrigados a agir ou, pelo menos, a prometer o costume: investigações urgentes ao funcionamento de certos mercados, tabelamentos de preços, apoios aos consumidores e a certas atividades económicas.

Perante estes clamores, os economistas parecem desprovidos de empatia enquanto invocam, em vão, o que aprenderam no primeiro ano da faculdade. Os apoios, particularmente se generalizados, contribuem para fortalecer a procura. E fortalecer a procura tende a fazer subir os preços, o que agrava, em vez de resolver, o problema original. Há muitas e fortes discordâncias entre economistas.

Artigo completo disponível no Jornal Económico.

Programa executivo da Católica Porto Business School leva líderes ao Kilimanjaro

A Católica Porto Business School (CPBS) vai lançar uma nova edição da formação executiva Summit Leadership Programme, que cruza o desenvolvimento de competências críticas de gestão e liderança com uma expedição ao cume do Monte Kilimanjaro, na Tanzânia.

O programa é especificamente desenhado para executivos de topo, líderes seniores e profissionais de elevado potencial que procuram “solidificar competências de liderança em contextos de incerteza, pressão e mudança” e realiza-se entre junho e dezembro.

Trata-se de uma abordagem imersiva à aprendizagem, combinando sessões académicas na escola de negócios da Católica no Porto, com treino prático na Serra de Valongo e uma expedição de oito dias ao Kilimanjaro, pela rota Machame.

Artigo completo disponível no Jornal Económico.

Filipa Mota: "Transparência salarial: vantagem competitiva ou subversão concorrencial no mercado de trabalho?"

A Diretiva 2023/970 do Parlamento Europeu e do Conselho para reforçar a aplicação do princípio da igualdade de remuneração por trabalho igual ou de valor igual entre homens e mulheres através de transparência remuneratória e mecanismos que garantam a sua aplicação deverá ser transposta para a lei portuguesa até junho deste ano.

Notícias recentes têm afirmado que a adoção da transparência salarial, antes desta se tornar uma obrigação legal, confere às empresas uma “vantagem competitiva”. Mas o que está verdadeiramente em causa?

Em 2024, o gender pay gap não ajustado1 era de 11,1% na União Europeia (UE) e de 7% em Portugal (Eurostat, 2026). A Diretiva 2023/970 tem por objetivo combater a discriminação remuneratória em função do género na UE. Sob esta diretiva, as empresas estão obrigadas a partilhar informações sobre salários e a tomar medidas, em cooperação com os representantes dos trabalhadores, caso sejam identificadas disparidades remuneratórias superiores a 5% sem justificação com base em critérios objetivos e neutros do ponto de vista do género.

Artigo completo disponível no Diário de Notícias.

Alberto Castro: "Bala de prata"

A revisão da legislação laboral tornou-se um folhetim enfadonho conquanto, nos últimos tempos, alguns episódios tenham animado o guião: o suspense do voto da UG ou um partido que não chega a 5,5% do eleitorado acusar os sindicatos de apenas representarem 7 a 15% dos trabalhadores – já agora, e as confederações patronais?). No geral, a dramatização que tem acompanhado todo o processo assenta num equívoco: ser a “bala de prata” que vai resolver os problemas de crescimento económico.

Não está em causa que várias normas careçam de atualização, mas uma abordagem conflitual alimenta a retórica da “luta de classes”, nas antípodas da lógica social-democrata. Pior, alimenta ilusões e perde de vista outras dimensões, porventura prioritárias.

Artigo completo disponível no Dinheiro Vivo.

João Pinto: "IA: eficiência ou ilusão de produtividade?"

A inteligência artificial entrou definitivamente no léxico da gestão. Em poucos meses, passou de promessa tecnológica a prioridade estratégica, ocupando agendas de conselhos de administração e decisões de investimento. A questão já não é se as empresas devem adotar inteligência artificial, mas sim como e com que expectativas.

No entanto, no meio do entusiasmo, importa fazer uma distinção essencial: entre ganhos de eficiência e criação efetiva de valor. Grande parte das aplicações atuais, em particular os sistemas generativos, têm demonstrado ganhos evidentes de produtividade individual. Tarefas que antes exigiam horas podem agora ser realizadas em minutos. A produção de texto, código ou análise preliminar tornou-se mais rápida e acessível. Este impacto é real.

Mas eficiência não é sinónimo de vantagem competitiva. Se todos os agentes têm acesso às mesmas ferramentas, a redução de custos e o aumento de produtividade tendem a ser rapidamente absorvidos pelo mercado. O que hoje parece uma vantagem pode tornar-se, em pouico tempo, um novo padrão. A inteligência artificial pode, assim, acelerar um processo de “comoditização inteligente”: mais eficiência, mas não necessariamente mais diferenciação.

Artigo completo disponível no Jornal de Negócios.

Alberto Castro: "O mistério dos preços e outras estórias"

Os preços dos combustíveis são, regularmente, notícia, sobretudo quando sobem. Supondo a carga fiscal constante, as variações do preço final refletem, no essencial, a evolução do preço do petróleo. Uma consequência? O preço também desce, sempre pouco na perspetiva do consumidor, mas desce. Por exemplo, em fevereiro de 2025, o preço médio da gasolina simples rondava 1,8 €/litro. Um ano passado, antes da guerra no Irão, o valor andava próximo de 1,7€/l.

Agora, proponho-lhe um exercício: tirando os produtos sazonais, lembra-se de algum cujo preço tenha baixado no último ano? Talvez os ovos…

A resistência dos preços à descida está amplamente documentada. Quando muito, os preços podem deixar de subir, mesmo que as razões que deram origem à subida original (máxime os combustíveis) tenham desaparecido. Descer não descem. Nessas circunstâncias, é natural que os assalariados que, no entretanto, perderam poder de compra, o queiram repor, pressionando os custos de produção. O resto é história. Quando damos por ela, temos os bancos centrais a subir as taxas de juro para conter a inflação, com todo o cortejo de consequências.

Artigo completo disponível no Dinheiro Vivo.

Católica Porto Teen Academy está de volta em julho

Promovida pelas seis faculdades do Porto – Escola das Artes, Escola Superior de Biotecnologia, Católica Porto Business School, Escola de Enfermagem (Porto), Faculdade de Direito – Escola do Porto e Faculdade de Educação e Psicologia – a iniciativa disponibiliza um total de oito programas presenciais, pensados para “apoiar uma decisão consciente sobre o percurso académico”.

Com uma abordagem prática e dinâmica, os cursos equilibram momentos de aprendizagem com atividades experimentais, promovendo o contacto direto com docentes, estudantes universitários e contextos reais das diferentes profissões.

“A Católica Porto Teen Academy é uma oportunidade única para os jovens do secundário conhecerem, de forma próxima e experiencial, o ambiente universitário e as diferentes áreas do conhecimento. Acreditamos que este contacto direto com a realidade académica e profissional é fundamental para apoiar escolhas mais informadas e conscientes sobre o futuro,” explica Isabel Braga da Cruz, pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa.

Artigo completo disponível no Jornal Económico.

João Moreira de Campos: "O Médio Oriente e o petróleo à luz da História"

Na sua edição de 25 de setembro de 1990, o Los Angeles Times noticiava que as ameaças de Saddam Hussein haviam espoletado um aumento expressivo do preço do barril de crude, elevando-o ao patamar dos 38 dólares. Tal aumento, na ordem dos 8%, resultava do receio de um eventual ataque aos campos petrolíferos sauditas e da possível situação de escassez que este provocaria, quase dois meses depois de o Iraque ter invadido o Kuwait. Com a queda expressiva das cotações bolsistas, os mercados financeiros reagiram e o dólar conheceu uma depreciação substancial.

Repetia-se, então, a conjuntura observada há praticamente uma década, aquando da deposição do Xá da Pérsia, Mohammad Reza Pahlavi, e do subsequente conflito militar entre o Irão e o Iraque, desencadeado por uma tentativa de invasão territorial perpetrada pelo governo de Saddam Hussein. Se os tumultos decorrentes do primeiro acontecimento afetaram a extração de petróleo por parte dos iranianos, a eclosão da guerra condicionou-a também no Iraque, privando a economia mundial da exportação diária de milhões de barris. A profunda dependência desta matéria-prima esteve na génese de uma crise sistémica, que forçou a adoção de políticas monetárias contracionistas em diversos países do noroeste global, de forma a combater as pressões inflacionárias emergentes.

Artigo completo disponível no Jornal Económico.