Sofia Salgado Pinto: "A gestão do presente e do futuro"

Quando escrevi a última crónica desta coluna estávamos a iniciar o estado de emergência e uma mudança radical nas vidas de todos os empresários, gestores e dirigentes empresariais. Na altura, desafiei a aproveitar este tempo para abrir janelas de oportunidade, janelas de curiosidade e de potencial futuro... Agora, quando escrevo outra vez, estamos todos a planear um regresso ou a perceber o que vai ser possível fazer. É o momento de olhar para a frente e perspetivar o que precisa de ser a resposta de curto prazo e o que pode ser o potencial de longo prazo.

Estamos ainda em “modo de crise”. Sabemos que não vamos voltar ao normal como o conhecíamos. Que temos novas regras de estar uns com os outros, que existem limites para o que é possível realizar, mas também que há novas oportunidades, quer sobre o que fazer quer sobre o como fazer. E não há setor que lhe escape. Em todos, temos de inventar e reinventar porque deixou de haver “habitual” e “normal”. Nem me parece fazer sentido falar em “novo normal”. O “normal” define padrão, consistência, estabilidade. Estamos longe disso e penso que não queremos que isto seja o nosso “normal”.

Sabemos que vamos entrar em mais um período, não delimitado temporalmente, que será diferente, mas instável e com características não conhecidas e determináveis à priori. Continuaremos num estado de incerteza e de grande imprevisibilidade. Como todos faremos um caminho de adaptação, o caminho irá mudar-se continuadamente. Se irá estabilizar num futuro longínquo, não sabemos.

Antes de tudo isto começar, falava-se e escrevia-se muito sobre “o propósito” nas organizações. E o propósito das organizações, o propósito de cada um, alterou-se? Estará agora mais claro? Mais focado? Poderá ter agora uma formulação ainda mais pertinente? O que nos move? Foi muito claro, neste período, que ter um propósito partilhado (o de manter a saúde e salvar vidas) nos leva e levou a superar-nos em resistência, manifestada nas mais diversas formas. Fomos capazes de aguentar a separação e distância daqueles de quem gostamos e nos são mais queridos, fomos capazes de trabalhar em formatos, horas e espaços tão diferentes e, fomos capazes de viver uma realidade muito diferente com uma adaptação, ainda assim, muito rápida.

Agora, o que é importante?

É importante continuar a dar resposta às necessidades do mercado no imediato, mas também levar a cabo um conjunto de passos orientados ao futuro. Isto significa continuar a não congelar perante as situações diferentes que vão continuar a aparecer. Partilho aqui a sistematização feita por dois reconhecidos especialistas do INSEAD, na sua recente publicação sobre a gestão da crise no contexto Covid-19(1): (i) importa que as diferentes equipas sejam envolvidas na compreensão dos problemas e desafios que se enfrentam; (ii) que as equipas explorem e percebam como podem combater os problemas e responder aos desafios; (iii) que lhes seja explicado o que foi decidido, como e porquê se espera que resulte e qual o compromisso para a ação; (iv) que se atue rapidamente, com foco no estabelecido e em constante monitorização; (v) que se avalie, aprenda, se adaptem os esforços e a liderança, sempre que nova informação e feedback surja.

Tem de ser rápida e continuada a capacidade de ajustar. É tempo para agilidade e flexibilidade nas respostas. As organizações que não o conseguem terão mais dificuldade em resistir e sobreviver. Mas a crise é tempo de aprendizagem.

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