Fernando Ilharco: "Poder e contágio social"
Há quase sempre algo de hipnótico no contágio social de ideias e comportamentos. Foi o caso da cruz suástica nazi na segunda guerra mundial e é também o caso do símbolo Z nos uniformes e tanques das tropas russas na Ucrânia e nas bandeiras no comício de apoio a Putin em Moscovo. Como símbolo, no sentido Junguiano, o Z simboliza algo do qual não se conhece inteiramente a origem e significado, e esse enigma ajuda ao seu poder de sedução. O Z prende a atenção porque, sendo graficamente simples, é uma charada identitária. Daí a necessidade de uma contra narrativa, que aliás já corre, contra a vida sob o jugo do Z/against life under Z.
A dinâmica colectiva dos grupos, multidões e comunidades não se rege pela mente individual, como explicaram Gustave Le Bon, Elias Canetti, ou Carl Jung, entre outros. O inconsciente colectivo, o contágio social de emoções, ideias e comportamentos, a química social que modela a realidade social tende a assentar em dinâmicas nem sempre racionais ou facilmente inteligíveis.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 25 de março de 2022.
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