Fernando Ilharco: "Errar é bom e é mau."

Não passa um dia sem que se ouça que errar é importante. Que o erro faz parte da inovação e do caminho para o sucesso. Mas, melhor do que errar é acertar, evidentemente.

A questão do erro é mais complexa do que possa parecer, porque o erro, em si mesmo, este ou aquele erro, não é o relevante. O que faz diferença quando nos enganamos, quando erramos, é o contexto individual e organizar em que esses enganos e erros acontecem. Ou seja, o significado e as consequências que têm; não é o erro, é o que se faz depois de errar.

As consequências emocionais, psicológicas, formafiras, motivadoras e competitivas do erro cometido são o mais relevante. No quadro de uma mentalidade mais habitual, focada no talento, no jeito nas capacidades, vistas geralmente como inatas, que uma pessoa terá ou não terá, a ideia de que errar é positivo é pouco simpática.

Hoje, no entanto, está muita emvoga e muita gente faz uni esforço, mas verdadeiramente não se convence de que errar é bom. E não pode ser de outra forma, porque só tendo outro tipo de mentalidade, a chamada mentalidade de desenvolvimento, menos usual, se pode de facto viver bem e melhorar com os erros.

A mentalidade, conforme conceptualizou Carol Dneck, a partir da Universidade de Stanford, que é amais usual, acredita que cada pessoa é sonho é e quando as coisas correm bem é porque tem as capacidades certas. Acredita mais nas capacidades, que seriam inatas, do que no esforço, na mudança e na melhoria.

E a mentalidade de alguém que conseguiu um resultado muito bom e de imediato nos diz que não fez esforço nenhum... E uma maneira de ser que não ajuda, porque um dia as coisas correm mal. Acontece a todos, mas se se tem mentalidade fixa não se vê saída porque o insucesso coloca em questão quem acreditamos ser. 

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 02 de julho de 2021.