Missão, Visão e Estratégia

Visão

Ser uma universidade que lidera na produção global de ciência para o bem comum e na educação dos estudantes de hoje para os desafios de amanhã.

 

Missão

Servir o país através de uma investigação inovadora e um ensino de excelência de vocação internacional, orientando-se para a sustentabilidade, no espírito que preside à formação humanista cristã.

 

Prioridades estratégicas do mandato reitoral 2016-2020

A UCP no século XXI

I – De onde partimos

Instituída em 1967, pelo decreto da Santa Sé Lusitanorum Nobilissima Gens, a Universidade Católica Portuguesa conseguiu em pouco menos de 50 anos assumir-se como uma das mais destacadas universidades portuguesas. Esta distinção resulta da provada qualidade do ensino, da atitude pioneira, ousando trilhar novas áreas - como administração de empresas ou mais tarde a biotecnologia - e da liderança na prossecução da terceira missão da universidade, o serviço à comunidade e a relação com o mundo empresarial.

Com 10.195 alunos a frequentar cursos conferentes de grau e perfazendo 13.000 com a inclusão de cursos de executivos, a UCP tem mantido uma população estudantil quantitativamente estável e começa, nalgumas áreas, a ter um crescimento muito representativo de estudantes internacionais. Um projeto de internacionalização de longue durée tem vindo a representar para a Universidade uma extraordinária oportunidade, que não se resume à captação de estudantes, mas sobretudo se foca no posicionamento da instituição na ecologia académica de referência além fronteiras, suportando, deste modo, a visão de colocar a UCP entre as melhores universidades católicas a nível mundial.

Os desafios da universidade para o próximo quadriénio são sobretudo seis. Os três primeiros são de natureza endógena e visam:

  • contrariar a balcanização e a dispersão de recursos e trabalhar de forma articulada  – não homogénea – para uma cultura organizacional orgânica, produtivamente dialógica e promotora da criatividade;
  • criar um modelo financeiro sustentável e assente na responsabilidade, combatendo a ineficiência, gerindo os recursos de modo articulado, e ajustando a estrutura e a oferta às exigências da comunidade académica de especialidade e à realidade do mercado de ensino superior;
  • saber reter talento e desenvolver os mais elevados padrões de qualidade para manter a capacidade competitiva da UCP.

Três outros desafios, de natureza exógena, são igualmente de considerar:

  • a iminência do ‘inverno demográfico’ e a necessidade de diversificar os públicos, potenciando, entre outras iniciativas, uma aposta internacional à medida;
  • as constrições ao financiamento em ciência, quer no que diz respeito à atribuição/distribuição de fundos públicos, em Portugal, quer no que respeita ao surgir de novos paradigmas de ‘empréstimo’;
  • a transformação da universidade e dos modelos de ensino na sociedade digital.

Ciente das suas forças e conhecendo os desafios, a UCP,  cumprirá a sua missão de serviço e trilhará o caminho que a levou a designar a meta de se situar entre as melhores universidades católicas em 2020, assumindo que o progresso da universidade não se faz sem a assunção de riscos, e que para tal, para se situar na vanguarda, deverá transgredir produtivamente as fronteiras do conhecimento, experimentar e explorar com o nobre objetivo de melhorar a condição humana.

 

II – Objetivos estratégicos:

O modelo de universidade que aqui se preconiza é o de uma universidade sólida no ensino e inovadora na investigação, empreendedora, criativa, e tecnológica e cientificamente capaz, privilegiando a investigação para em vez da pesquisa sobre os seres humanos.

O mandato compromete-se com as quatro linhas estratégicas aprovadas pelo Conselho Superior da UCP em 2015, as quais visam:

  • posicionar a investigação como suporte fundamental do ensino;
  • incutir um modelo de internacionalização integrada (comprehensive internationalization) como compromisso institucional;
  • desenvolver-se segundo um modelo de especialização inteligente, sustentado na integralidade ética;
  • promover a sustentabilidade financeira dos projetos académicos e de investigação.

E assume mais uma:

  • promover a inovação, através do desenvolvimento de iniciativas de transferência de conhecimento e fomentar a transformação digital da universidade.

Nesta ótica, serão apurados indicadores que permitam quantificar e monitorizar a forma como a universidade como um todo, as unidades académicas e os centros de I&D, estão a mapear, analisar e a aplicar os procedimentos para desenvolver as linhas estratégicas. Os objetivos serão quantificados a partir da avaliação individual das unidades e decorrerão em íntima articulação com a Reitoria.

 

III – Prioridades

O mandato assume a necessidade de clarificar junto da comunidade as prioridades de investimento e desenvolvimento a assumir. Estas prioridades são de natureza macro, a saber:

  • Garantir a estabilidade económica da universidade.

Neste âmbito será  lançada a Campanha Católica@50 (2017-2022).

  • Desenvolver a eficiência através do reforço da confiança e potenciar a inovação e a vanguarda criativa.
  • Garantir a monitorização da qualidade da investigação e formação doutoral.
  • Dar continuidade aos compromissos.

Estes são de natureza infraestrutural, a saber, a proposta de construção do novo edifício de executivos para a CLSBE; de perfil I&D e infraestrutural, a parceria ESB – Amyris e o novo edifício para a Escola Superior de Biotecnologia; de natureza académica e financeira, o projeto do Curso de Medicina.

  • Promover ativamente um modelo de universidade inclusiva.

Além destas prioridades macro, trabalharemos ainda para o desenvolvimento especializado de projetos inovadores nas faculdades (centros, laboratórios, espaços, bibliotecas), e bem assim para capacitar as pessoas (estudantes, docentes e colaboradores) através da captação de bolsas e cátedras. Serão ainda selecionadas linhas de intervenção específicas, estruturando-se clusters transdisciplinares com incentivos próprios, a partir de percentagens das margens geradas por unidades com disponibilidade financeira, ao mesmo tempo que se potenciará uma utilização mais eficiente dos recursos académicos e de estrutura, gerindo a mudança com responsabilidades partilhadas entre todos os atores do sistema.

 

IV – Iniciativas

Decorrendo das linhas gerais de orientação assumidas, propõem-se 4 iniciativas estratégicas:

  • A iniciativa Católica 4.0 comporta um plano para modernização e transformação digital, centrada na simplificação, na agilização da interação entre os utilizadores do sistema e no potenciar da responsabilidade. Trata-se de uma iniciativa alinhada com a estratégia académica e científica, que tirando partido das nova revolução tecnológica 4.0, potenciará uma renovação da infraestrutura, de modelos de ensino e investigação e bem assim gerará uma modificação organizacional e como tal também comportamental. A iniciativa centrar-se-á no desenvolvimento de modelos de informação em tempo real, aplicações móveis e cloud computing, potenciando uma cultura de participação e colaboração. A transformação digital assume-se como compromisso institucional, estrategicamente integrado, evitando a duplicação de esforços e recursos.
  • A iniciativa Católica-Talentos propõe uma abordagem de 360º à gestão de talentos. Diferenciar o acesso, reter os melhores alunos, promover a acessibilidade de estudantes nacionais e internacionais e articular este crescimento focado com uma gestão exigente, mas inteligente, das carreiras universitárias. Com esta iniciativa deseja-se otimizar o recrutamento, promover o desenvolvimento dos talentos académicos, instituir indicadores de desempenho exigentes e adequados a cada área disciplinar, estimular a retenção dos melhores (estudantes e docentes) e desenvolver um sistema de incentivos adequado à capacidade de cada unidade.
  • A iniciativa Católica I&I (Católica Investigação e Inovação) tem como palavras de ordem Qualidade, Diferenciação e Colaboração. Para responder a desafios de complexidade crescente reforça-se o modelo colaborativo, acentua-se a orientação transversal do pensamento humanístico para informar qualquer prática científica. A iniciativa inclui o fortalecimento dos modelos de aferição da qualidade da investigação, da produtividade das unidades de I&D e da formação de 3º ciclo a elas associada e bem assim dos indicadores de transferência de conhecimento em ligação com as unidades de conhecimento nas empresas. Desta iniciativa faz parte o desenho do Católica eLab, um acelerador de ideias para congregar estudantes, investigadores, professores e empresas em projetos colaborativos sem restrição de área; e bem assim a Católica Doctoral School.
  • A Iniciativa Campus-Cultura – Porque a arte também é produtora de conhecimento e o cultivo da beleza um desiderato da ação humana, a iniciativa tem como missão tornar a universidade um espaço aberto à arte, potenciando a intervenção artística site-specific nos vários campus e a afirmação da universidade como objeto curatorial e não simplesmente como produtora de conhecimento sobre curadoria.Estas iniciativas estão informadas por um modelo a que chamamos a ‘universidade estúdio’. Uma universidade que não é fábrica, mas estúdio, desenvolve a sua ação em torno da singularidade criativa. Não trabalha para ser igual, mas dá prioridade à diferença, desde logo de identidade, mas também nas escolhas estratégicas que faz, na seleção de prioridades, na aposta na inovação, no apoio à criatividade.

Por isso, entendemos que A UCP não é obra perfeita. É projeto e risco. Contribuiremos para desenvolver um projeto solidamente edificado nos valores, vertido numa universidade que pensa e labora em total liberdade, uma universidade sem muros, aberta tecnológica e humanamente aos desafios do século XXI.

 

Isabel Capeloa Gil


25 de novembro de 2016