Missão, Visão e Estratégia
Missão
Formar as pessoas, cultivar a ciência, transformar o país e o mundo pela excelência do exemplo.
Visão
Contribuir para o fortalecimento da Europa do conhecimento, promovendo a excelência através de um ensino de cariz humanista cristão e de uma investigação transformadora da vida das pessoas e do planeta.
Capacitar uma nova geração de líderes, focada na sabedoria e no florescimento da pessoa, servindo as comunidades, o país e a humanidade, no respeito pela sua diversidade.
Plano de Desenvolvimento Estratégico 2026-2030
A Universidade Estúdio | Promover a sabedoria para uma nova humanidade
Em tempo de profunda transformação social, política e tecnológica, a educação de qualidade focada no florescimento da pessoa e alicerçada em investigação robusta e transformadora, constitui o único garante de futuro para a humanidade. Na próxima década, o ensino superior será objeto de profundas transformações, que já se manifestam na realidade dos nossos campi. As universidades contemporâneas enfrentam um conjunto de desafios profundos que se distribuem, de forma interligada, pelos domínios social, tecnológico e político, refletindo transformações mais amplas da sociedade. Estes desafios afetam não apenas o funcionamento das instituições de ensino superior, mas também o seu papel enquanto espaços de produção de conhecimento, formação para a cidadania e debate crítico.
O desenvolvimento de modelos cada vez mais autónomos de inteligência artificial está a alterar o modo como a universidade se organiza, gere e planeia o seu desenvolvimento, e sobretudo o modo como define a sua missão. A universidade moderna, evoluindo de um modelo centrado na interação em presença real entre grupos de estudantes e professores, é agora desafiada pela adoção de modelos de inteligência artificial generativa, pela digitalização dos modelos de interação pedagógica e pela integração de práticas de ensino-aprendizagem de base tecnológica, privilegiando modelos de auto-aprendizagem baseados, por exemplo, em gamificação, em detrimento de metodologias ativas tradicionais de base dialógica. Por outro lado, a rápida digitalização do ensino e da investigação trouxe oportunidades significativas, como o acesso ampliado à informação e novas metodologias de aprendizagem. A universidade, sobretudo uma universidade católica, é chamada a integrar a tecnologia de forma crítica e ética, evitando tanto uma certa tirania algorítmica e o tecnicismo acrítico como a resistência ao progresso, e garantindo que a inovação sirva objetivos educativos e sociais mais amplos.
O alargamento do acesso à informação exige igualmente da universidade o potenciar da capacidade de a transformar em conhecimento. Além do desafio tecnológico que constitui uma verdadeira alteração de paradigma, a mudança demográfica e as tensões políticas e geoestratégicas afetam o posicionamento da universidade enquanto espaço de abertura crítica ao mundo e de confluência de origens étnicas, sociais, económicas e culturais. Na verdade, alteram o seu lugar de promoção de uma diaconia cultural, como refere o Papa Leão XIV.
Do mesmo modo, a sustentabilidade assume-se como um desafio transversal e incontornável. Enquanto espaços de produção de conhecimento, as universidades têm um papel crucial na investigação e na educação para o desenvolvimento sustentável, contribuindo para soluções inovadoras que respondam às crises ambientais globais. São assim chamadas a adotar práticas ambientalmente responsáveis, reduzindo a sua pegada ecológica, promovendo a eficiência energética e a gestão sustentável de recursos. Para além disso, a sustentabilidade envolve também uma dimensão económica e social: garantir a viabilidade financeira das instituições a longo prazo e formar cidadãos conscientes dos desafios climáticos e ambientais.
Por fim, a universidade é um espaço audaz de criação de novas soluções orientadas para um crescimento económico sustentável, trabalhando com o ecossistema empresarial industrial e de inovação para contribuir para uma economia de valor acrescentado. Em síntese, os desafios sociais, tecnológicos, políticos e de sustentabilidade estão profundamente interligados e exigem respostas integradas e estratégicas. A capacidade das universidades para enfrentar estes desafios determinará o seu futuro e a sua relevância enquanto instituições fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e sustentável.
É nesta convicção que a Universidade Católica Portuguesa apresenta o seu Plano de Desenvolvimento Estratégico (PDE), articulado em torno da ideia de Universidade Estúdio como espaço de promoção da sabedoria. Este plano (PDE) articula um trabalho de reflexão conjunta com as partes interessadas da sociedade, as suas unidades académicas e colaboradores, estudantes e comunidade envolvente, organizações e empregadores, alumni e empreendedores. A ideia da universidade estúdio inspira-se no conceito de studium, termo que etimologicamente está na base de estudo, como prática reflexiva, introspetiva e disciplinada de aprendizagem e investigação. Contudo, o termo latino está também na origem da expressão estúdio, atelier, local de prática artística, conotado com a liberdade criativa e até com a transgressão. Por sua vez, o novo PDE assume claramente uma estratégia ancorada no fomento do desenvolvimento humano, onde a dimensão instrumental da produção de conhecimento se eleva em caminho transversal para a busca da sabedoria. Se a primeira garante as competências para ganhar a vida, a segunda estrutura a verdadeira possibilidade de se ter vida, integral, solidária, ciente da fraternidade universal que é garante de um futuro sustentável para a humanidade.
Ora, uma universidade que é estúdio, desenvolve a sua ação em torno da singularidade criativa. Não trabalha para ser igual, mas dá prioridade à diferença. Esta manifesta-se desde logo na sua identidade matricial, mas também nas escolhas estratégicas que faz e no seu posicionamento. Numa universidade-estúdio cultiva-se a riqueza da diversidade que se transforma em criação, conhecimento, valor social, cultural, ético e económico. O estúdio é um espaço de trabalho ambicioso e corajoso, onde se explora o horizonte a vir.
Isabel Capeloa Gil,
Reitora da Universidade Católica Portuguesa
Consulte aqui o Plano de Desenvolvimento Estratégico 2026-2030