Rita Figueiras: "Vivemos numa ditadura do presente?"
Esta emissão foi gravada a uma quinta-feira e não a uma quarta, como nas semanas anteriores. Um certo sexto sentido editorial poderia levar-nos a considerar o quão vantajosa é esta margem mais curta para a ultrapassagem da análise aqui produzida pela realidade a trote. Nada que nos apoquente. De qualquer modo, perguntei aos dois comentadores residentes deste magazine (a professora de Ciências da Comunicação e Comunicação Política da Universidade Católica Portuguesa, Rita Figueiras, e o sociólogo e professor do ICTE, Paulo Pedroso) se se reconhecem nesta passagem de uma entrevista de Javier Cercas, o autor de Soldados de Salamina, ao jornal Expresso, em meados de Abril: "Um dos aspectos decisivos do nosso tempo é que vivemos numa ditadura do presente, em grande parte gerada pelos meios de comunicação. O que não é de hoje, desta manhã, já é passado. O que se passou há três semanas é pré-história. Isto cria uma visão totalmente falsificada da realidade, porque na realidade o passado - sobretudo aquele de que há memória e testemunhas - é uma dimensão activa do presente, sem a qual o presente está mutilado".
Confiemos, entretanto, em que a democracia não seja ultrapassada pelos acontecimentos e encostada à parede pela ditadura do presente. A verdade é que o ponto de situação feito pela Foreign Policy identifica 56 países que, desde o início da pandemia, suspenderam ou adiaram eleições. Paulo Pedroso é confrontado com vários indícios de que, enquanto não se descobre a vacina para a Covid-19, os cidadãos de alguns destes países podem ficar vacinados quanto ao exercício regular da democracia.
Perguntei-lhe também se o recente recrudescimento da violência em várias cidades dos EUA pode riscar da agenda de Novembro as eleições presidenciais?
E coloquei à reflexão de ambos os comentadores o modo como tem evoluído a mediatização dos protestos contra a violência racial em várias cidades dos Estados Unidos.
Outra pergunta colocada à professora de Ciências da Comunicação e Comunicação Política da Universidade Católica Portuguesa: Quando Donald Trump entra em guerra com o Twitter (retirando poderes às redes sociais e caindo na tentação de afrontar a Primeira Emenda) pode estar a lançar um boomerang que atingirá fortemente a sua própria posição?
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