Rita Figueiras: "Legislativas 2022: para que servem estes debates eleitorais?"

No dia 2 de janeiro começaram os debates para as eleições legislativas de 2022. Com uma duração de 25 minutos, e descontando as intervenções do moderador, cada participante fala, na melhor das hipóteses, 11 minutos, repartidos por três ou quatro intervenções.

Ao cabo da primeira semana, o que podemos dizer sobre o formato?

Se em qualquer tipo de interlocução, a forma precede o conteúdo, neste caso, o formato é o conteúdo. O modelo escolhido privilegia um determinado tipo de preparação, de personalidade e de política, orientadas pela lógica mediática belicista, muito em voga nos reality shows e na “twitteresfera”. Estes frente-a-frente promovem braços de ferro que se desenrolam numa sucessão de microagressões. Para se ser bem sucedido, é preciso ter interiorizado um guião de candidatura diferenciador, perceber o que se quer de cada round – leia-se, de cada debate – e estar armado de frases-bala: cirúrgicas, incisivas e certeiras. É preciso dispor de uma estratégia para manietar o adversário, retirar-lhe tempo e concentração.

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