Rita Figueiras: "EUA: o consenso impossível"
Nuns Estados Unidos divididos pelo ódio, a polarização cresce a cada dia que passa e o consenso social é uma utopia. Este ambiente político é indissociável de um ecossistema comunicacional que se serve de apoiantes radicais mobilizados pela rejeição. Será que, num tempo regido por redes sociais como é o nosso, a situação pode ser revertida? Não creio.
O assassinato de Charlie Kirk está novamente a pôr em evidência o papel da economia da atenção na calcificação política (fruto da polarização prolongada) norte-americana. O impacto do acontecimento não é dissociável do facto de a morte ter ocorrido perante os olhos de centenas de jovens que se encontravam no local e transmitiam , em simultâneo com a plataforma do influencer , o debate “prove me wrong” através das suas redes sociais. Quase tão perturbador quanto o assassinato foi a rapidez com que as imagens da sua execução se propagaram, convertendo milhões de pessoas no mundo inteiro em espetadores inadvertidos da fatídica sequência “pergunta-resposta-tiro”.
Nota: Pode ler este conteúdo na íntegra na edição impressa do jornal Público de 15 de setembro de 2025.
Categorias: Faculty of Human Sciences